Jogador do Serrano Football Clube, de Petrópolis é indiciado por estupro coletivo de adolescente no Rio de Janeiro
João Gabriel Xavier Bertho é um dos acusados por estupro Crédito: Reprodução
Redação 06/03/2026 às 23h56
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Jogador do Serrano Football Clube, de Petrópolis é indiciado por estupro coletivo de adolescente no Rio de Janeiro

Um atacante de 19 anos com vínculo contratual com o Serrano Football Clube, clube da cidade de Petrópolis (RJ), está entre os quatro jovens denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e tornados réus pela Justiça pelo crime de estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos. O jogador foi identificado como João Gabriel Xavier Bertho, e seu contrato foi suspenso pelo clube após a divulgação do caso.

Quem é o atleta envolvido?

Segundo apuração do portal G1 e do jornal O Globo, João Gabriel atuava como atacante no Serrano FC e chegou ao clube após passagem pelo S.C. Humaitá. Registros de competições da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) confirmam sua participação em pelo menos seis partidas pela categoria sub-20, entre elas jogos contra equipes como A.D. Leões do Brasil, Rio Athletic, Grande Rio F.C., Maricaense A.C. e Niterói F.C.

Uma súmula referente a uma partida entre Serrano e Paduano, disputada em Duque de Caxias em julho do ano passado, registra João Gabriel como titular da equipe naquela ocasião.

Em nota oficial, o Serrano FC declarou: "Entendemos a gravidade da situação e reforçamos que o clube repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência. O atleta está afastado e seu contrato suspenso. Estamos acompanhando de perto o desenrolar do caso e os desdobramentos da investigação."

Como o crime aconteceu

De acordo com as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro, a vítima — identificada apenas como adolescente de 17 anos — foi atraída a um apartamento localizado em um condomínio na cidade por um menor de idade, com quem já havia se relacionado entre 2023 e 2024. O jovem a convidou sob o pretexto de um encontro romântico.

Ao chegar ao local, a adolescente foi conduzida a um quarto. Durante a relação com o ex-namorado, os quatro acusados invadiram o cômodo e, segundo o relato da vítima às autoridades, a submeteram a atos sexuais à força, incluindo penetração e sexo oral forçado. Ela relatou ainda ter sofrido agressões físicas com socos, tapas e chutes na região abdominal. A perícia médica identificou lesões no canal vaginal, hematomas nas costas e nos glúteos, além de suspeita de fratura em uma costela.

O delegado responsável pelo caso afirmou que a vítima chegou à delegacia "muito abalada emocionalmente e com lesões aparentes", e que o exame de corpo de delito confirmou relatos compatíveis com violência física e sexual. "Ela sofreu muita violência física e psicológica, com xingamentos e humilhações", declarou a autoridade policial ao jornal O Globo.

Os outros acusados

Além de João Gabriel Xavier Bertho, os outros três réus são:

  • Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos
  • Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos — filho do proprietário do apartamento onde o crime ocorreu
  • Matheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos

Um quinto envolvido, o menor de 17 anos que atraiu a vítima ao local, também é investigado, mas tem a identidade preservada por ser menor de idade. Segundo a polícia, dois dos acusados adultos já tinham antecedentes por rixa, mas nenhum por crime de natureza sexual.

Investigação e mandados de prisão

A Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou inquérito, indiciou os quatro por estupro com concurso de pessoas, e o MPRJ apresentou denúncia formal à Justiça. O juiz responsável aceitou a denúncia, tornando os acusados réus, e expediu mandados de prisão preventiva na sexta-feira (27).

No dia seguinte, a Polícia Civil realizou a Operação "Não é Não" para cumprir os mandados, mas nenhum dos quatro foi localizado. Todos seguem foragidos até o momento.

Câmeras de segurança do condomínio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, aproximadamente uma hora depois, a saída deles do local — imagens que integram o conjunto de provas reunidas pela investigação.


Comentário do Fatos e Prosa:

Este caso choca não apenas pela brutalidade dos fatos — uma adolescente atraída por um ex-namorado e violentada coletivamente —, mas também pelo perfil dos envolvidos: jovens sem histórico de crimes sexuais, um deles atleta profissional em início de carreira.

A rapidez com que o Serrano FC agiu ao suspender o contrato do jogador é um gesto necessário, mas que não apaga a gravidade da situação. O futebol brasileiro, que lida há anos com casos de violência praticados por atletas, precisa ir além das notas de repúdio: clubes, federações e a própria CBF precisam ter protocolos claros de conduta e consequências reais para atletas envolvidos em crimes desta natureza.

Mais urgente ainda é a mensagem que este caso precisa enviar à sociedade: violência sexual não é "bagunça de jovem", não é "excesso numa festa" e não tem atenuante. O que a perícia descreveu — fraturas, hematomas, sangramento — é tortura. E o fato de os quatro estarem foragidos, após um mandado expedido pela Justiça, é um sinal de que ainda há um longo caminho pela frente até que a impunidade deixe de ser a regra nesses casos.

À vítima, que teve a coragem de procurar a delegacia logo após o crime e colaborar com as investigações, fica o reconhecimento de que sua voz importa — e que o Brasil precisa aprender a ouvi-la antes que o crime aconteça, e não apenas depois.

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